Morre Chico Alves do Itararé, voz pioneira e símbolo da história da Grande Dirceu
Faleceu na manhã deste domingo (08/02/2026) Chico Alves do Itararé, personagem central da vida política, social e comunitária da zona Sudeste de Teresina. Sua trajetória se confunde com a própria história do processo de ocupação do antigo Conjunto Itararé, hoje conhecido como Grande Dirceu, região que ajudou a construir não apenas com ações, mas com presença, visão e compromisso com as pessoas.
Chico Alves foi muito mais do que uma liderança política. Foi, sobretudo, um comunicador nato e um empreendedor comunitário. Em um tempo em que a informação não chegava com facilidade às periferias, ele criou o primeiro e mais marcante instrumento de comunicação popular do Itararé: o sistema de alto-falantes, carinhosamente conhecido como “A Voz do Itararé”. Era ali, na chamada “boca de ferro”, que a comunidade se informava, se orientava, se reconhecia e se sentia parte de algo maior.
Para toda uma geração, ouvir os programas apresentados por Chico Alves fazia parte da rotina diária. Era informação, serviço público, música, avisos e, principalmente, identidade. Sua voz ecoava pelas ruas de terra, criando laços, fortalecendo vínculos e dando sentido coletivo a um bairro que ainda estava nascendo.
Homem empreendedor, Chico Alves também acreditava que o desenvolvimento de uma comunidade passa pelo lazer, pela cultura e pelo entretenimento. Investiu esforços e sonhos na criação do Cine Teatro Francisco Alves, projeto que simbolizava seu desejo de oferecer arte e convivência à população local. Embora o espaço tenha seguido outro caminho e se tornado palco de festas e eventos, a intenção original revela sua visão à frente do tempo e seu amor genuíno pelo Itararé.
Na política, Chico Alves foi um ícone respeitado, mas sempre manteve os pés no chão e o ouvido atento às necessidades do povo. Sua liderança não se impunha pelo cargo, mas pela proximidade, pela palavra fácil, pelo acolhimento e pela capacidade de mobilizar.
Nos últimos anos, sua história também foi marcada pela fé. Convertido ao cristianismo, Chico Alves tornou-se um homem de Deus, congregando na Assembleia de Deus, onde encontrou renovação espiritual e viveu com humildade, devoção e testemunho. A fé passou a ser parte central de sua vida, refletida em atitudes, palavras e na forma serena com que conduziu seus dias.
A partida de Chico Alves deixa um vazio profundo, mas também um legado que permanece vivo na memória afetiva do povo da Grande Dirceu. Sua voz pode ter silenciado, mas sua história continua ecoando nas ruas, nas lembranças e no coração de todos que cresceram ouvindo “A Voz do Itararé”.
Chico Alves não foi apenas um homem do seu tempo. Foi um construtor de comunidade, um semeador de pertencimento e um símbolo de que comunicação, fé e compromisso social podem transformar realidades. Seu nome está definitivamente inscrito na história do Itararé — e na história de todos nós que aprendemos a ouvir, sonhar e acreditar com ele.
Por José Maria G de Freitas - Amigo, fã e admirador
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