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03/03/2026 às 16h03 Redação Você está aqui: Home / Educação Imprimir postagem

UESPI inicia semestre de 2026 com velhos problemas e disciplinas sem professores

Alunos do campus Clóvis Moura, em Teresina, são informados no primeiro dia de aula que parte das matérias não terá docentes; crise crônica expõe fragilidade da gestão universitária e omissão do governo estadual

O primeiro período letivo de 2026 começou nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, na Universidade Estadual do Piauí — e, mais uma vez, começou incompleto. O calendário avança, os alunos comparecem às salas, mas parte das cadeiras permanece vazia: faltam professores. O problema, antigo e reiterado semestre após semestre, segue sem solução estrutural.

No campus Clóvis Moura, em Teresina, estudantes do curso de Administração foram informados logo nos primeiros dias que algumas disciplinas simplesmente não terão docentes. Não se trata de um imprevisto isolado ou de uma ausência pontual. É um padrão que se repete a cada início de semestre, transformando a exceção em regra e naturalizando o improviso como método de gestão.

A UESPI carrega a responsabilidade de formar milhares de estudantes em áreas estratégicas para o desenvolvimento do estado. No entanto, a instituição parece refém de uma crise administrativa permanente. Faltam concursos regulares, falta planejamento de médio e longo prazo, falta transparência sobre prazos e soluções concretas. O que não falta é o discurso protocolar prometendo que “a situação será regularizada”.

O impacto recai diretamente sobre os alunos. São eles que acumulam prejuízos acadêmicos, enfrentam atrasos na conclusão do curso, reorganizam rotinas de trabalho e convivem com a insegurança de um semestre que começa sem garantias mínimas. No caso do curso de Administração, a contradição é evidente: futuros gestores aprendem, na prática, como a ausência de planejamento compromete resultados.

A responsabilidade não se limita à gestão interna da universidade. A UESPI é uma instituição pública estadual e depende diretamente de orçamento e decisões do Governo do Estado do Piauí. A recorrente falta de professores evidencia falhas na política de contratação, na execução orçamentária e na prioridade conferida ao ensino superior público.

Não é admissível que, em 2026, a maior universidade estadual do Piauí ainda inicie períodos letivos sem quadro docente completo. A precarização progressiva compromete a qualidade do ensino, fragiliza a credibilidade institucional e penaliza estudantes que dependem exclusivamente da universidade pública para transformar suas trajetórias.

Se a situação continuar sendo tratada como episódio pontual — e não como problema estrutural — a UESPI seguirá abrindo seus semestres da mesma forma: com alunos presentes, expectativas renovadas e disciplinas sem professor.

POr Zezo Freittas


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