Cães inocentes, tutores culpados
Há cenas que se repetem todos os dias e, de tão comuns, quase se tornam invisíveis — mas o cheiro não deixa esquecer. No Conjunto Tancredo Neves, um bairro querido e cheio de gente trabalhadora, há um problema que insiste em se espalhar pelas ruas e calçadas: as fezes dos cães. Não é exagero dizer que o espaço público virou, em muitos trechos, um verdadeiro campo minado.
E antes que alguém torça o nariz (no sentido figurado, claro), é bom deixar claro: a culpa não é dos cães. Eles apenas seguem sua natureza. Os verdadeiros responsáveis por essa sujeira são aqueles que se autodenominam “tutores”, mas que não cumprem o papel mais básico de quem tem um animal de estimação — respeitar o espaço comum e a coletividade.
É lamentável ver pessoas que tratam seus cachorros como filhos em casa, mas esquecem o “bom senso paterno” na hora do passeio. Cuidar é mais do que alimentar e dar carinho; é também assumir a responsabilidade pelo que o animal faz. Recolher as fezes é um ato simples, rápido e que evita constrangimentos, doenças e, principalmente, o desgaste da convivência entre vizinhos.
Enquanto isso, as calçadas seguem marcadas, as crianças precisam desviar, os idosos se equilibram para não pisar onde não devem, e o Tancredo Neves perde parte da dignidade que merece.
Está mais do que na hora da Prefeitura agir, com campanhas educativas e, se necessário, multas rigorosas. Porque a cidade limpa não depende só de varrição — depende de consciência e respeito.
Os cães são os menos culpados nessa história. Os verdadeiros animais, neste caso, são os que seguram a coleira e fingem não ver o que deixam para trás.
Zezo Freittas
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